Lotação máxima e show de inclusão: o domingo inesquecível do Arraiá do Povo
Forró da manhã à noite, banda de romance estreando no polo e a história emocionante de um intérprete de Libras surdo que conquistou o público. O Arraiá do Povo provou que tradição e acessibilidade andam juntas. Vem conferir o que rolou.
O Polo Arraiá do Povo Poeta Zé Lima viveu mais um domingo (14) de casa cheia, em uma jornada que começou às 11h da manhã e foi do forró raiz à inclusão social. A animação ficou por conta da banda estreante Mobral Arreio de Prata, seguida por Canindé Carvalho e Caranguejo do Forró, que aqueceram o polo mais raiz do "Mossoró Cidade Junina" (MCJ). Das cinco atrações do dia, quatro se apresentaram pela primeira vez no espaço.

A quarta atração foi o estreante Raynel Guedes, que conquistou a plateia com o forró pé de serra e muita interação. Para fechar a noite, o veterano Toca do Vale fez o público dançar e cantar. "Tocar aqui no Arraiá do Povo é tudo de bom, para o artista e para a população. Hoje vamos tocar um repertório junino, começando com São João da Roça e terminando com um show maravilhoso de grandes sucessos", disse o artista.

O Arraiá do Povo se destaca também pelo compromisso com a acessibilidade. O espaço dispõe de uma área exclusiva para Pessoas com Deficiência (PcD), com 25 vagas para PcDs e mais 25 para acompanhantes, além de um ponto de apoio para atender todas as necessidades desse público. Localizada em frente ao palco, a área garante visibilidade privilegiada para os shows.
No chamado Front da Inclusão, são disponibilizadas cadeiras, abafadores de som e pulseiras de identificação, que permitem a PcDs e acompanhantes circular por todo o polo com segurança. Segundo a coordenadora Aliane Medeiros, o acesso é simples: basta um cadastro on-line, aberto às sextas e sábados pelo site da Prefeitura. "No espaço, toda pessoa PcD tem direito a um acompanhante, então esse acompanhante e a pessoa inscrita recebem uma pulseira de acesso. O Front da Inclusão garante segurança, visão privilegiada e respeito", explicou.
A interpretação que emocionou o público
Um dos grandes destaques do polo é Carlos Eduardo Olímpio de Souza, 22 anos, surdo desde bebê, que vem encantando a plateia ao interpretar os shows em Língua Brasileira de Sinais (Libras). O trabalho é possível graças ao apoio de colegas intérpretes, que traduzem as músicas para que ele as reproduza no palco.
Por meio da colega intérprete Aline Jhenifer Silva, Carlos compartilhou o que sente: "Estou me sentindo muito feliz de trabalhar como intérprete no palco, porque é uma atividade da comunidade surda. Trabalhar com a interpretação me deixa muito feliz e eu quero continuar trabalhando, essa é uma experiência maravilhosa".
Com um jeito descontraído e gracioso de atuar, ele já conquistou a admiração do público — e faz questão de incentivar outros surdos a seguirem o mesmo caminho. "Eu sempre falo para os meus amigos e para todos, que se vocês têm sonho de trabalhar assim, vocês podem tentar. É só querer, que podem estudar, fazer curso, inclusive quando a gente trabalha, a gente é muito valorizado", relatou.
Compartilhar:
