quinta-feira, 16 de julho de 2026
Saúde

Programa de Controle do Tabagismo acompanha 370 pacientes e amplia tratamento em Mossoró

Rede municipal conta com 12 grupos ativos de tratamento e registra aumento na procura pelo serviço; Lei Antifumo completa 30 anos nesta quarta-feira (15).

Por Maxsuel Dantas 15/07/2026 às 19h52 há 9 horas 3 min de leitura
Programa de Controle do Tabagismo acompanha 370 pacientes e amplia tratamento em Mossoró

O Programa Municipal de Controle do Tabagismo (PMCT), desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), segue ampliando o atendimento à população em Mossoró. Implantado em 2006, o programa acompanha atualmente 370 pacientes em diferentes fases do tratamento para cessação do tabagismo, conforme o Protocolo do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT).

Os usuários são acompanhados desde o início do tratamento até as etapas de controle, manutenção e reingresso após recaídas, garantindo um monitoramento contínuo da evolução clínica e fortalecendo as estratégias de abandono do cigarro de acordo com as necessidades de cada paciente.

Atualmente, o município conta com 12 grupos de tratamento ativos, distribuídos em 12 Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Segundo a farmacêutica e bioquímica da eMulti, Tulíola de Oliveira, o apoio especializado é um dos fatores que contribuem para o sucesso do tratamento.

“Muitas pessoas já tentaram e não obtiveram êxito. Muitas voltaram a fumar e algumas têm medo de realmente tentar e não conseguir. Mas é possível. Temos inúmeros casos de pessoas que pararam efetivamente de fumar ou reduziram bastante a carga tabágica. Tudo isso é possível com o apoio de profissionais capacitados, dos insumos fornecidos pelo programa e do acompanhamento com psicólogos e rodas de convivência”, explicou.

Somente em 2026, 272 novos usuários iniciaram o tratamento, demonstrando o aumento da procura pelo serviço oferecido gratuitamente pela rede municipal de saúde.

De acordo com o levantamento da Secretaria Municipal de Saúde, cerca de 40% dos pacientes conseguem abandonar completamente o cigarro, enquanto 35% reduzem significativamente o consumo. Outros 25% interrompem o tratamento ou não conseguem alcançar o objetivo de deixar o tabaco.

Tulíola reforça que o tabagismo é uma doença que envolve dependência física e psicológica, tornando o processo de abandono mais complexo.

“Muitas pessoas querem parar e mesmo assim não conseguem, porque existe um envolvimento psicoquímico. O cigarro provoca dependência e afeta também a saúde mental. Por isso, muitas vezes, somente a força de vontade não é suficiente”, destacou.

A aposentada Cleonice Pereira da Silva Borges, acompanhada pela UBS Francisco Marques, é um dos exemplos de sucesso do programa. Ela conta que começou a fumar aos 12 anos e chegou a consumir até duas carteiras de cigarro por dia.

“Para mim foi uma vitória muito grande. Quem quer e busca o tratamento consegue parar de fumar. É preciso procurar ajuda e acreditar que é possível vencer esse vício”, afirmou.

Lei Antifumo completa 30 anos

Nesta quarta-feira (15), a Lei Antifumo (Lei nº 9.294/1996) completa 30 anos. A legislação foi a primeira norma de alcance nacional a estabelecer restrições ao consumo e à propaganda de cigarros no Brasil.

Entre as principais medidas, a lei proibiu o consumo de cigarros em diversos ambientes de uso coletivo, restringiu a publicidade do produto em rádio e televisão, vetou o patrocínio de eventos esportivos por marcas de cigarro e tornou obrigatória a inclusão de advertências sobre os riscos do tabagismo nas embalagens e peças publicitárias.

A legislação é considerada um marco nas políticas públicas de combate ao tabagismo e contribuiu para a redução do número de fumantes no país ao longo das últimas décadas.